
A calçada que cobre grande parte de Lisboa surgiu no século XVIII durante a reconstrução da cidade após o terramoto de 1755. A inspiração parece ter sido os mosaicos romanos, e foi uma maneira engenhosa de reutilizar pedaços dos escombros do sismo. Lisboa foi assim coberta de pedras de calcário e basalto que formam padrões a preto e branco sem a utilização de cimento.
É bonito e simples, mas também artístico e por isso só possível com calceteiros especializados.

Originalmente e maioria dos desenhos eram relacionados com a cultura marítima da cidade, ilustrando padrões de ondas (como se vê noRossio), caravelas e peixes.

Mais tarde também se ilustravam os nomes e logotipos de espaços comerciais.
A moda pegou por toda a cidade, espalhou-se pelo país e suas colónias (como nos famosos calçadões do Rio de Janeiro e nas praças de Macau), e pelo mundo fora (o memorial a John Lennon, no Central Park em Nova Iorque é um exemplo).

Embora a calçada seja uma parte importante da identidade de Lisboa, é uma arte que está a morrer, já que o número de calceteiros tem vindo a diminuir. Este tipo de pavimento é também bastante escorregadio quando chove, e exige uma manutenção e reparação constante (já para não falar de um custo mais elevado do que a alternativa em cimento). Por isso há o risco da calçada tornar-se apenas parte da história de Lisboa no futuro. A renovação da Praça do Comércio em 2010, por exemplo, retirou a calçada portuguesa que existia.

Ainda assim, encontram-se belos exemplos por toda a cidade. Além do mais emblemático no Rossio, existem vários pela Avenida da Liberdade, Chiado e Parque das Nações, com as suas criações modernas junto ao Oceanário.
Fotos: Celso Gonçalves Roc2c










