Fotos Abril 2014
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quinta-feira, 24 de abril de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
‘Lisboa é a 4ª cidade mais bonita do mundo’, diz o U City Guides
Num ranking liderado por Veneza,e do qual fazem parte ainda Rio de Janeiro, Paris e Praga, Lisboa foi considerada pelo U City Guides, a quarta cidade mais bonita do mundo.
A nossa cidade foi descrita como “uma das cidades com um melhor cenário do mundo”, com “vistas lindas e inesperadas descobertas a cada esquina, com as suas ruas pitorescas e coloridas e, especialmente, com os seus miradouros no topo de cada colina”.
O guia internacional diz ainda que Lisboa está em estado bruto, mas é sedutora porque “tem uma beleza que não precisa de grande esforço para nos cativar, com as suas fachadas de azulejos e edifícios em tons de pastel”. E escreve ainda: “Num sítio tão deslumbrante, não admira que muitos dos grandes exploradores questionaram que outras belezas existiriam para lá do horizonte, quando partiram, daqui no século XV”.
O ranking completo está aqui.
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Origem das primeiras calçadas de Lisboa: Praça Luís de Camões
A Praça de Luís de Camões, coloquialmente Praça Luís de Camões ou Largo de Camões, localiza-se no Bairro Alto, na freguesia da Misericórdia (até 2013 na freguesia da Encarnação), em Lisboa.
A sua toponímia deve-se por ter sido vontade de ser aí instalada uma estátua ao poeta d'Os Lusíadas, inaugurada em 9 de Outubro de 1867, impulsionada pela vontade de enaltecer o patriotismo pela Comissão Central 1.º de Dezembro de 1640.
Nela localiza-se o consulado-geral do Brasil na capital portuguesa e o Ministério da Economia.
Texto: http://pt.wikipedia.org/
Foto Setembro 2012
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quarta-feira, 9 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Fantástica Clave Sol em calçada portuguesa, Prémio Design Gráfico do projecto "Calçadas de Pedras Portuguesas do Rio de Janeiro" por Designer Bernardete Porfírio
Vila Isabel é um bairro na Zona Norte do Rio de Janeiro, famoso por seu ilustre compositor Noel Rosa.
Como decoração, as marcantes "calçadas musicais', ilustram, em partituras e desenhos, as obras deste gênio da música brasileira, que já completou seu Centenário de existência e herança deixada ao mundo, com sua prosa cantada em versos.
Esta foto, nomeada "Clave de Sol", faz parte de um projeto premiado, na Bienal Brasileira de Design, que aconteceu em Curitiba, no estado do Paraná, em 1993. No evento, foi eleito o melhor de todos, concorrido a nível nacional entre centenas de projetos de graduação inscritos, tendo recebido o "Prémio Design Gráfico" concedido à autora e fotógrafa, a Designer Bernardete Porfírio, entitulado "Calçadas de Pedras Portuguesas do Rio de Janeiro".
Foto e texto cedido por Bernardete Porfírio
quinta-feira, 27 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
A "Baleia" do Leme
Há uma relação entre o bairro do Leme e as baleias, de longos tempos...
Há narrativas antigas, que uma baleia encalhada no Leme teria trazido o Imperador e sua família para um pique-nique na praia do Leme.
Encerrando a paisagem da Avenida Atlântica, encontra-se, oposto ao Forte de Copacabana, o Forte do Leme, trecho compreendido entre o Morro do Inhangá e a Pedra do Leme (ou do Vigia), assim como a área urbana constituída entre o túnel na Av. Princesa Isabel, passando pela avenida até esta Pedra.
Quanto à escultura de aço colocada no calçadão, próxima ao marco 0 da Av. Atlântica, no Posto 1, é uma obra, escolhida em concurso público, autoria de Ângelo Venosa (1954- ) que foi inicialmente instalada na Praça Mauá, no final dos anos 1980.
Após cerca de dez anos, o monumento foi transferido para o atual endereço, na Av. Atlântica.
Apelidada de “A Baleia Encalhada” ou apenas “A Baleia”, o monumento, de seis metros de comprimento e doze toneladas, até que lembra um esqueleto do grande mamífero.
Texto e Fotos: Bernardete Porfírio
sexta-feira, 7 de março de 2014
O chão de pedras pretas e brancas nasceu há 172 anos
A calçada portuguesa como hoje a conhecemos surgiu em 1842 pela mão de reclusos e pela mente do Governador de armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa. A ideia do engenheiro militar Eusébio Furtado era fazer um pavimento de pequenas pedras pretas e brancas, em ziguezague, na fortaleza e nos arredores do castelo.
Uma irreverência na época que fez sucesso. Rapidamente a calçada propagou-se pela cidade. Em 1848, foi aprovado o projecto da autoria deste tenente-general, que visava revestir toda a Praça do Rossio com a calçada portuguesa. Ao fim de 323 dias, uma área de 8712 metros quadrados a que se chamou Mar Largo, com desenhos a homenagear os descobrimentos portugueses, ficou concluída. Daqui partiu-se para cobrir os passeios e mais ruas de toda a capital com a calçada portuguesa. Em 1867, foi o Largo de Camões; em 1870 o Príncipe Real; em 1876 a Praça do Município; em 1877 o Cais do Sodré; o Chiado em 1894; e a Avenida da Liberdade em 1879.
Nesse ano, a novidade inspirou o poeta Cesário Verde. Em Cristalizações, este autor descreve o trabalho dos calceteiros que "De cócoras, em linha (…), Com lentidão, terrosos e grosseiros, Calçam de lado a lado a longa rua".
Actualmente existem cerca de 20 calceteiros em Portugal. Apesar de a Câmara de Lisboa ter criado, em 1986, a Escola de Calceteiros “devido à preocupação de perder os conhecimentos sobre calcetar”, lê-se no site do município, o número de profissionais tem vindo a diminuir acentuadamente. Entre os anos 40 e 50 eram 400. É uma profissão especializada que é feita por poucos em muitos locais.
De Norte a Sul, pisa-se a calçada portuguesa. Apesar de Lisboa ser a cidade-modelo, muitas ruas e praças do país têm este chão histórico. No Norte, nas cidades de Guimarães, Aveiro, Porto, nasceram diversos apontamentos nas ruas históricas. No Centro, em Coimbra, Castelo Branco, Santarém. A Sul, do Alentejo ao Algarve, de Sines a Lagos, Portimão, Faro e Tavira, existem ruas que, de uma ponta à outra, não escaparam à calçada. Nos Açores e na Madeira, as pedras cúbicas também chegaram e mantêm-se nas ilhas. Além fronteiras, por onde os portugueses passaram, também se deixou esta marca no solo. Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Macau têm até hoje a calçada portuguesa em pontos de algumas das suas ruas.
Pelo mundo, a calçada tem diferentes cores e desenhos geométricos. Quando nasceu no século XIX, a matéria-prima era o basalto. Mas por ser de difícil corte passou a ser utilizado o calcário. Em redor de Lisboa nasceram várias explorações, atingindo as 80 pedreiras só nas proximidades da capital. Hoje, os principais locais de extracção situam-se no distrito de Leiria e Santarém, e na orla Algarvia, existindo cerca de 300.
Pretos, cinzentos-claros, cinzentos-escuros, cor-de-rosa e brancos, os calcários desenham várias formas. De superfície lisa e brilhante, a pedra torna-se mais cintilante em dias de chuva, e por vezes escorregadia. É uma característica que não agrada a todos e que tem provocado discussões políticas e sociais entre quem defende o início do seu fim e de quem a defende como património histórico que deve ser preservado.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Associação quer que calçada portuguesa seja considerada património nacional e mundial
ADPLx espera que não se avance com a substituição da calçada em alguns locais da capital, como se prevê.
A Associação de Defesa do Património de Lisboa (ADPLx ) pretende que a calçada portuguesa seja considerada património nacional e, posteriormente, mundial. A ADPLx esteve reunida com “Os Verdes”, o Bloco de Esquerda e o CDS-PP para obter apoio político neste objectivo.
Para evitar que a Câmara de Lisboa (CML) retire a calçada portuguesa de alguns locais da cidade, a ADPLx reuniu com partidos políticos para transmitir a sua mensagem. “A associação está empenhada em elevar a calçada portuguesa a património nacional, daí a nossa acção de sensibilização junto dos grupos parlamentares, para além da nossa intenção em falar com os grupos municipais”, diz a presidente, Aline Hall de Beuvink, num comunicado de imprensa divulgado esta quinta-feira.
“Não iremos descansar enquanto a calçada portuguesa não for reconhecida como património nacional. E lutaremos para que a UNESCO a considere património mundial”, afirma. A associação defende que a calçada portuguesa, “como imagem de marca de Portugal”, deve ser valorizada devido à sua “importância a nível histórico, cultural e patrimonial”.
A deputada Cláudia Madeira, d’"Os Verdes", disse, segundo o comunicado, que estavam “disponíveis para acompanhar esta iniciativa da Associação”. Por sua vez, o Bloco de Esquerda concorda em dar apoio ao longo deste processo. E o CDS-PP também, estando receptivo à problemática, ainda segundo o comunicado.
Em causa está a proposta da CML de substituir progressivamente ruas e passeios de “calçada sem qualidade” por outro tipo de pavimento, ainda não definido. A preservar fica a “calçada artística”, que consideram ser de “inegável valor patrimonial”, lê-se no Plano de Acessibilidade Pedonal da câmara.
Esta quinta-feira à noite, a ADPLx vai participar num debate na junta de freguesia de Campo de Ourique com o tema “O fado da calçada portuguesa”. Na conferência participará também o coordenador da equipa do Plano de Acessibilidade da CML, Pedro Homem de Gouveia, e um membro do Fórum Cidadania Lisboa, Luís Marques da Silva.
Noticia: http://www.publico.pt/local/noticia/associacao-quer-que-calcada-portuguesa-seja-considerada-patrimonio-nacional-e-mundial-1627284
Noticia: http://www.publico.pt/local/noticia/associacao-quer-que-calcada-portuguesa-seja-considerada-patrimonio-nacional-e-mundial-1627284
quarta-feira, 5 de março de 2014
Calçada portuguesa em Lisboa e no Rio: é mais o que as une do que aquilo que as separa
Na cidade carioca, muitos vêem a “pedra portuguesa” como “a vilã”, mas há quem insista em lembrar o seu valor identitário e histórico. A grande diferença em relação a Portugal é que no Rio de Janeiro são os moradores e comerciantes, e não as autoridades públicas, quem tem a responsabilidade de fazer a conservação dos pavimentos.
Em Lisboa, a hipótese recentemente ressurgida de se substituir a calçada portuguesa por outros pavimentos nalguns locais da cidade deu origem a dezenas de notícias, a vários abaixo-assinados e a uma discussão intensa entre defensores e opositores da medida. Mas não é só em Portugal que o tema desperta paixões: no Brasil, sempre que se fala em limitar o uso da “pedra portuguesa” no Rio de Janeiro, a polémica estala.
Isso mesmo aconteceu no final de 2007, quando a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou uma lei segundo a qual “as calçadas e passeios públicos” deveriam ser “de piso antiderrapante e contínuo, com rampa de acesso para cadeira de rodas”. Para que isso fosse uma realidade, previa-se a substituição generalizada dos pisos “com pedra do tipo portuguesa”, excepto na “orla marítima”. Algo que tem vindo a acontecer a pouco e pouco, aproveitando obras de requalificação que vão sendo feitas em vários locais da cidade.
“Volta e meia, as nossas calçadas de pedras portuguesas ficam sob fogo cruzado. O argumento é sempre o mesmo: o perigo que a falta de manutenção representa para os transeuntes”, escrevia em 2009 Cora Rónai. Pouco convencida, a jornalista d’O Globo perguntava: “O que leva alguém a supor que uma cidade incapaz de manter um calçamento de pedras portuguesas será capaz de manter um calçamento de qualquer outra coisa?”.
Semelhante é o raciocínio de Horácio Magalhães, que defende, em declarações ao PÚBLICO, que o problema está na “falta de conservação” e não no tipo de pavimento. “Não importa se é calçada ou concreto. Se só muda o material, o problema persiste. É como tirar o sofá da sala para evitar que o casal namore”, constata o presidente da Sociedade de Amigos de Copacabana.
Além disso, diz Horácio Magalhães, “as pedras portuguesas são características de Copacabana, fazem parte da sua história”. Tirá-las, resume o representante dos moradores do bairro, seria “um prejuízo”.
O “calçadão”, uma das mais conhecidas imagens de marca do Rio de Janeiro, foi construído em 1906, com mão-de-obra e pedras vindas de Portugal e com um desenho inspirado no “Grande Mar” do Rossio. Na década de 70 do século passado o artista plástico e arquitecto paisagista brasileiro Burle Marx, que nalgumas obras suas juntou basalto vermelho às tradicionais pedras brancas e pretas, deu-lhe um novo desenho.
Também Andréa Redondo é, como confessa no blogue Urbe CaRioca, uma “apaixonada” pela calçada portuguesa, “herança da terrinha, de lá onde estão as nossas raízes lusitanas”. “É a nossa memória, a nossa cultura, que deve ser preservada. Quando visitei Lisboa foi uma emoção indescritível ver ao vivo como somos portugueses”, conta a arquitecta ao PÚBLICO.
“As calçadas são muito mal conservadas, infelizmente. Ficam com buracos, com desnivelamentos e as pessoas caem, se machucam”, acrescenta Andréa Redondo. “Há um consenso geral de que a pedra portuguesa é a vilã”, resume a ex-presidente do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, lamentando que assim seja.
Olhando para as cartas dos leitores e os muitos artigos publicados no jornal brasileiro O Globo, é também essa a imagem que passa. “Olhe bem por onde todos pisam”, “Armadilhas para os pedestres”, “Pedras portuguesas, um perigo constante” e “Um tropeço, com certeza” são os títulos de algumas notícias recentes, várias delas acompanhadas por fotografias de pessoas com ferimentos causados por quedas na calçada portuguesa.
Em Lisboa, onde existem apenas 20 calceteiros ao serviço da autarquia, quando chegaram a ser quase 400, a falta de manutenção e de qualidade da calçada e os problemas de acessibilidade, segurança e conforto que coloca são também temas de discussão. Uma realidade que parece não ter eco no Rio de Janeiro, a julgar por aquilo que se diz em vários blogues e artigos de opinião. Como o de Cora Rónai, em que a jornalista faz a apologia da pedra portuguesa a partir do exemplo das “ruas lindas e impecáveis de Lisboa, onde é quase impossível, se não impossível de todo, ver pedra fora do lugar”.
Entre a capital portuguesa, que segundo o município tem “largos milhares de metros quadrados” de áreas revestidas a calçada, e o Rio de Janeiro há no entanto uma diferença significativa: deste lado do Atlântico é à câmara municipal quem compete a manutenção das pedras de calcário e basalto, mas em terras brasileiras são os proprietários das habitações e das lojas quem têm o ónus de zelar pelos pavimentos à sua frente.
Isso mesmo está estipulado num Decreto do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, de 2008, que prevê a aplicação de multas aos faltosos. Andréa Redondo explica que “não existe acompanhamento das obras, nem fiscalização, nem divulgação de como fazer”. O resultado, explica a arquitecta, é que os trabalhos na calçada são mal feitos, havendo vários moradores e comerciantes que acabam por a substituir por concreto ou granito. “É uma coisa muito ruim, porque há uma quebra de unidade”, constata.
E, mesmo em Portugal, o debate sobre o futuro da calçada não é exclusivo de Lisboa. No Porto, o actual vereador do Urbanismo, Manuel Correia Fernandes, não defende uma utilização extensiva deste pavimento nos passeios. O arquitecto considera que o calcário polido torna-se escorregadio em determinadas condições de humidade, o que coloca problemas de mobilidade.
O arquitecto defende um compromisso entre a estética e a funcionalidade, sendo que, neste caso, a funcionalidade tem muito que ver com a mobilidade de peões, entre os quais se incluem deficientes e idosos. E basta andar na calçada à portuguesa no largo da igreja da Trindade, atrás dos Paços do Concelho, ou chegar com pressa, num dia de chuva, à estação de metro com o mesmo nome, onde foi usado granito polido, para se perceber como os materiais de revestimento podem ser um empecilho.
No Porto, nas últimas intervenções no espaço público da Baixa tem sido usado o granito, seja na versão paralelepípedos, na faixa de rodagem, ou em lajes de grandes dimensões, como nas obras da Rua das Flores. Noutras, como na Rua Ricardo Jorge, ou na Rua das Oliveiras, os novos passeios são mesmo em cimento. Nestes últimos casos o preço foi o factor tido em conta, mas a opção, que vem já do executivo anterior, liderado por Rui Rio, tem sido muito criticada e está a ser avaliada pela actual equipa do Urbanismo, pois coloca outros problemas, do ponto de vista da manutenção e do aspecto visual, por exemplo.
Na cidade todos se recordam da polémica intervenção desenhada pela dupla Eduardo Souto Moura/Siza Vieira na Avenida dos Aliados, aquando das obras de construção da estação de metro no subsolo, em meados da década passada. Entre as várias críticas ao projecto, algumas vozes levantaram-se contra a substituição da calçada dos passeios e de parte da placa central por cubos de granito que, em conjunto com a eliminação dos canteiros existentes, conferiram a todo o espaço uma homogeneidade que o falecido escritor Manuel António Pina chegou a definir como “sizentismo”. Nessa altura, o trabalho da calçada dos passeios, com motivos alusivos ao ciclo do vinho do Porto, foi transferido para uma perpendicular aos Aliados, a rua Sampaio Bruno.
Em Lisboa, a hipótese recentemente ressurgida de se substituir a calçada portuguesa por outros pavimentos nalguns locais da cidade deu origem a dezenas de notícias, a vários abaixo-assinados e a uma discussão intensa entre defensores e opositores da medida. Mas não é só em Portugal que o tema desperta paixões: no Brasil, sempre que se fala em limitar o uso da “pedra portuguesa” no Rio de Janeiro, a polémica estala.
Isso mesmo aconteceu no final de 2007, quando a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou uma lei segundo a qual “as calçadas e passeios públicos” deveriam ser “de piso antiderrapante e contínuo, com rampa de acesso para cadeira de rodas”. Para que isso fosse uma realidade, previa-se a substituição generalizada dos pisos “com pedra do tipo portuguesa”, excepto na “orla marítima”. Algo que tem vindo a acontecer a pouco e pouco, aproveitando obras de requalificação que vão sendo feitas em vários locais da cidade.
“Volta e meia, as nossas calçadas de pedras portuguesas ficam sob fogo cruzado. O argumento é sempre o mesmo: o perigo que a falta de manutenção representa para os transeuntes”, escrevia em 2009 Cora Rónai. Pouco convencida, a jornalista d’O Globo perguntava: “O que leva alguém a supor que uma cidade incapaz de manter um calçamento de pedras portuguesas será capaz de manter um calçamento de qualquer outra coisa?”.
Semelhante é o raciocínio de Horácio Magalhães, que defende, em declarações ao PÚBLICO, que o problema está na “falta de conservação” e não no tipo de pavimento. “Não importa se é calçada ou concreto. Se só muda o material, o problema persiste. É como tirar o sofá da sala para evitar que o casal namore”, constata o presidente da Sociedade de Amigos de Copacabana.
Além disso, diz Horácio Magalhães, “as pedras portuguesas são características de Copacabana, fazem parte da sua história”. Tirá-las, resume o representante dos moradores do bairro, seria “um prejuízo”.
O “calçadão”, uma das mais conhecidas imagens de marca do Rio de Janeiro, foi construído em 1906, com mão-de-obra e pedras vindas de Portugal e com um desenho inspirado no “Grande Mar” do Rossio. Na década de 70 do século passado o artista plástico e arquitecto paisagista brasileiro Burle Marx, que nalgumas obras suas juntou basalto vermelho às tradicionais pedras brancas e pretas, deu-lhe um novo desenho.
Também Andréa Redondo é, como confessa no blogue Urbe CaRioca, uma “apaixonada” pela calçada portuguesa, “herança da terrinha, de lá onde estão as nossas raízes lusitanas”. “É a nossa memória, a nossa cultura, que deve ser preservada. Quando visitei Lisboa foi uma emoção indescritível ver ao vivo como somos portugueses”, conta a arquitecta ao PÚBLICO.
“As calçadas são muito mal conservadas, infelizmente. Ficam com buracos, com desnivelamentos e as pessoas caem, se machucam”, acrescenta Andréa Redondo. “Há um consenso geral de que a pedra portuguesa é a vilã”, resume a ex-presidente do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, lamentando que assim seja.
Olhando para as cartas dos leitores e os muitos artigos publicados no jornal brasileiro O Globo, é também essa a imagem que passa. “Olhe bem por onde todos pisam”, “Armadilhas para os pedestres”, “Pedras portuguesas, um perigo constante” e “Um tropeço, com certeza” são os títulos de algumas notícias recentes, várias delas acompanhadas por fotografias de pessoas com ferimentos causados por quedas na calçada portuguesa.
Em Lisboa, onde existem apenas 20 calceteiros ao serviço da autarquia, quando chegaram a ser quase 400, a falta de manutenção e de qualidade da calçada e os problemas de acessibilidade, segurança e conforto que coloca são também temas de discussão. Uma realidade que parece não ter eco no Rio de Janeiro, a julgar por aquilo que se diz em vários blogues e artigos de opinião. Como o de Cora Rónai, em que a jornalista faz a apologia da pedra portuguesa a partir do exemplo das “ruas lindas e impecáveis de Lisboa, onde é quase impossível, se não impossível de todo, ver pedra fora do lugar”.
Entre a capital portuguesa, que segundo o município tem “largos milhares de metros quadrados” de áreas revestidas a calçada, e o Rio de Janeiro há no entanto uma diferença significativa: deste lado do Atlântico é à câmara municipal quem compete a manutenção das pedras de calcário e basalto, mas em terras brasileiras são os proprietários das habitações e das lojas quem têm o ónus de zelar pelos pavimentos à sua frente.
Isso mesmo está estipulado num Decreto do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, de 2008, que prevê a aplicação de multas aos faltosos. Andréa Redondo explica que “não existe acompanhamento das obras, nem fiscalização, nem divulgação de como fazer”. O resultado, explica a arquitecta, é que os trabalhos na calçada são mal feitos, havendo vários moradores e comerciantes que acabam por a substituir por concreto ou granito. “É uma coisa muito ruim, porque há uma quebra de unidade”, constata.
E, mesmo em Portugal, o debate sobre o futuro da calçada não é exclusivo de Lisboa. No Porto, o actual vereador do Urbanismo, Manuel Correia Fernandes, não defende uma utilização extensiva deste pavimento nos passeios. O arquitecto considera que o calcário polido torna-se escorregadio em determinadas condições de humidade, o que coloca problemas de mobilidade.
O arquitecto defende um compromisso entre a estética e a funcionalidade, sendo que, neste caso, a funcionalidade tem muito que ver com a mobilidade de peões, entre os quais se incluem deficientes e idosos. E basta andar na calçada à portuguesa no largo da igreja da Trindade, atrás dos Paços do Concelho, ou chegar com pressa, num dia de chuva, à estação de metro com o mesmo nome, onde foi usado granito polido, para se perceber como os materiais de revestimento podem ser um empecilho.
No Porto, nas últimas intervenções no espaço público da Baixa tem sido usado o granito, seja na versão paralelepípedos, na faixa de rodagem, ou em lajes de grandes dimensões, como nas obras da Rua das Flores. Noutras, como na Rua Ricardo Jorge, ou na Rua das Oliveiras, os novos passeios são mesmo em cimento. Nestes últimos casos o preço foi o factor tido em conta, mas a opção, que vem já do executivo anterior, liderado por Rui Rio, tem sido muito criticada e está a ser avaliada pela actual equipa do Urbanismo, pois coloca outros problemas, do ponto de vista da manutenção e do aspecto visual, por exemplo.
Na cidade todos se recordam da polémica intervenção desenhada pela dupla Eduardo Souto Moura/Siza Vieira na Avenida dos Aliados, aquando das obras de construção da estação de metro no subsolo, em meados da década passada. Entre as várias críticas ao projecto, algumas vozes levantaram-se contra a substituição da calçada dos passeios e de parte da placa central por cubos de granito que, em conjunto com a eliminação dos canteiros existentes, conferiram a todo o espaço uma homogeneidade que o falecido escritor Manuel António Pina chegou a definir como “sizentismo”. Nessa altura, o trabalho da calçada dos passeios, com motivos alusivos ao ciclo do vinho do Porto, foi transferido para uma perpendicular aos Aliados, a rua Sampaio Bruno.
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Pela absolvição da pedra portuguesa nas nossas cidades
Ao longo das últimas semanas, a imprensa carioca vem veiculando um massivo e impiedoso ataque às calçadas de pedra portuguesa. Não se trata de nenhuma novidade. Volta e meia reaparecem os detratores desta eficiente e, por isso mesmo, longeva forma de revestimento de pisos e calçadas. Nos anos 90, durante as intervenções urbanísticas do Programa Rio-Cidade da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, assistimos a execração pública das calçadas em pedra portuguesa da Av. N. S. de Copacabana que acabaram substituídas por superfícies cimentadas. Curiosamente, no mesmo momento em que as pedras portuguesas eram banidas de alguns bairros da nossa cidade o Projeto Rio-Cidade da Ilha do Governador construía cerca de 16 mil metros quadrados de novas calçadas em pedra portuguesa.
Quer dizer, a mesma prefeitura que condenava a pedra portuguesa em alguns bairros (mesmo sob protestos de parte da população), aprovava a sua utilização em outras áreas da cidade, demonstrando não haver um consenso estabelecido sobre a questão.
Os argumentos daqueles que querem ver banidas as pedras portuguesas não mudam nem se renovam. A tônica é sempre a mesma: a falta de manutenção dos calçamentos acarreta o aparecimento de buracos e pedras soltas, submetendo as pessoas a todo tipo de constrangimentos e riscos. A rusticidade das conclusões chega a ser comovente: as pedras estão fora de lugar? As calçadas estão esburacadas?… Pronto, o veredito está dado! A solução será a remoção integral das pedras e sua substituição por outro tipo de revestimento (tudo isso nos fazendo lembrar um antigo prefeito desta cidade que, para evitar que as marquises desabassem sobre a cabeça dos transeuntes, resolveu proibir a construção de marquises por toda a cidade…).
Claro está que o problema não se refere à escolha do tipo de revestimento, mas à falta de gestão pública do espaço urbano que não tem se mostrado capaz de assegurar o cumprimento da boa técnica de execução dos mosaicos em pedra portuguesa, nem a manutenção adequada das calçadas. Desde há milhares de anos (reparem: eu disse milhares de anos!) os mosaicos feitos com pedras calcárias multicoloridas são utilizados como revestimentos artísticos de paredes, colunas e pisos em todos os cantos do mundo. Trata-se, portanto e na melhor das hipóteses, de um julgamento apressado condenar este tipo de revestimento, cuja recorrência ao longo da história das cidades se revela de modo sistemático e persistente.

mosaico romano, Herculano, c. sec. I d.C., Itália (foto: Claudia Brack)
Escavações arqueológicas comprovam a existência deste tipo de revestimento nas cidades da Mesopotâmia, no antigo Egito e nas cidades da antiguidade greco-romana. Entre os exemplos mais conhecidos, pode-se destacar as antigas cidades de Pompéia e Herculano, onde nem a devastadora erupção do Vesúvio (no ano 79 d.C.) foi capaz de apagar a solidez e a durabilidade dos painéis e pisos realizados segundo aquela técnica.
Tal herança, de resto utilizada em várias cidades do mundo, seria reavivada em Lisboa no século XIX, consagrando-se, a partir de então, como técnica preferencial para o revestimento de pisos de praças e áreas públicas nas cidades portuguesas, tanto na Metrópole como nas colônias do Império Ultramarino português. As principais vantagens do revestimento em mosaico de pedra decorrem do seu sistema construtivo que, por analogia, pode ser aproximado a um jogo de “quebra-cabeça”. Enumeraremos a seguir algumas dessas vantagens (às vezes pouco lembradas ou desconhecidas por seus detratores):
1) O mosaico resulta da justaposição de pequenas pedras (como as peças do “quebra-cabeça”) que se tocam nos seus bordos. Essa característica confere grande flexibilidade e maleabilidade ao calçamento, permitindo, pedra após pedra, acompanhar as eventuais ondulações do terreno, como também ajustar-se com perfeição às mais complexas e inesperadas formas geométricas das superfícies a revestir;
2) Uma vez completado o mosaico torna-se extremamente difícil retirar qualquer uma das pedras que o compõem. O atrito resultante do contato dos bordos das pedras entre si assegura um elevado grau de estabilidade ao calçamento (por esse motivo dificilmente encontramos partes faltantes na extensa área da Praça do Rossio em Lisboa, toda revestida de mosaico calcário).

Praça do Rossio, Lisboa, Portugal
Tal característica física do sistema construtivo dispensa o uso de rejuntamento das pedras com argamassa de cimento ou qualquer outro tipo de aglomerante (alguns manuais técnicos admitem a utilização de uma farofa seca de saibro e cimento no preenchimento das juntas). Para assegurar a fixação das pedras basta apenas que elas estejam encaixadas uma às outras, de modo a que os bordos se toquem pelo maior número de pontos possível (não obstante a forma irregular das pedras), estreitando-se, assim, as juntas entre as pedras. A montagem paciente e cuidadosa deste “quebra-cabeça” é, aliás, o mister da arte da calceteria (arte essa cada vez mais rara em nossa cidade, como demonstra a largura excessiva das juntas entre as pedras do calçamento que se tenta inutilmente compensar com a utilização de argamassa de cimento);
3) As pedras são (ou deveriam ser) assentadas sobre uma camada de areia que, por sua vez, se assenta sobre um solo compactado e convenientemente preparado para drenar as águas superficiais. Disso resulta outra grande vantagem da pedra portuguesa, sobretudo numa cidade como o Rio de Janeiro (sujeita a regimes de chuva intensa e com uma topografia acidentada). Trata-se de sua capacidade drenante, já que, se for observada a boa técnica de execução do calçamento (com pedras de junta seca, sem cimento ou aderentes), teremos diante de nós um piso permeável, capaz de absorver parte das águas pluviais;
4) A junta seca permite ainda uma incomparável capacidade de regeneração da calçada após as intervenções das concessionárias de serviços públicos tais como águas e esgotos, energia elétrica, gás, cabos subterrâneos etc. As pedras são retiradas com a ajuda de uma ferramenta manual e repostas tão logo seja concluída a intervenção. No caso das calçadas de cimento, além de necessitar do emprego de ensurdecedoras britadeiras para quebrar a calçada, elas mantém expostas as marcas dos remendos das sucessivas intervenções realizadas, gerando freqüentes fissuras e trechos quebradiços entre a velha calçada e o trecho reconstruído;
5) A durabilidade dos pisos calcetados com pedra portuguesa em relação a outros tipos de revestimento (asfaltamento, cimentados, cerâmicos etc.) é bem conhecida e atestada por diversos autores. Acrescente-se ainda a significativa economia representada pelo baixo custo de manutenção ao longo do tempo, já que as pedras podem ser retiradas e reaproveitadas a cada reparo ou intervenção sofrida pelas calçadas;
6) Por fim, embora esta listagem não seja exaustiva, destaca-se a indiscutível beleza dos mosaicos artísticos que ornamentam o piso de praças, calçadas e áreas públicas na cidade. Os desenhos formados, a habilidade do calceteiro e as tonalidades das pedras utilizadas conferem feições estéticas originais aos pisos fazendo com que cada mosaico seja diferente dos demais. As considerações acima apresentadas têm por objetivo não apenas contribuir para o debate sobre as calçadas em pedra portuguesa da cidade, mas também ampliá-lo, aprofundando as questões que lhe são concernentes. Para que o “choque de ordem” não se imponha de forma autoritária e tecnocrática (ou venha se esgotar apenas nos seus efeitos midiáticos) será necessário que se proceda também a um choque de gestão pública e democrática do espaço urbano. Significa dizer que uma cidade precisa ser construída e reconstruída todos os dias, pedrinha por pedrinha, tal como os mestres calceteiros nos ensinaram ao longo da história das cidades. E que a força de cada pedrinha decorre da força do sistema como um todo, gerado pelo fato de todas as pedrinhas compartilharem solidárias o mesmo projeto de cidade.
Texto: http://cristovao1.wordpress.com/2009/05/03/pela-absolvicao-da-pedra-portuguesa-nas-nossas-cidades/
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Lançada petição pública contra retirada de calçada portuguesa
O MyiArts, entidade de apoio às artes, cultura e turismo, informou hoje que criou uma petição pública contra a retirada da calçada portuguesa aprovada na passada terça-feira pela Assembleia Municipal de Lisboa.

A retirada da calçada faz parte do Plano de Acessibilidade Pedonal, aprovado por unanimidade na assembleia e que visa facilitar a mobilidade na cidade de Lisboa, eliminando barreiras arquitectónicas até 2017.
Segundo o município, que alega razões de segurança para a medida, o plano não visa substituir toda a calçada portuguesa.
"Trata-se de um crime contra a cultura portuguesa. Um pedaço de história que é de todos e de cada um, um cartão-de-visita a quem vem à capital portuguesa", refere o MyiArts, em comunicado.
Na qualidade de Associação Internacional das Artes e Cultura, o MyiArts acredita que "uma medida como esta é inaceitável, pois vai contra a preservação do património cultural da cidade de Lisboa", sugerindo "a implementação de mecanismos que preservem este pedaço de História" para que quem visite Lisboa possa admirar, mas também para que "as novas gerações não percam o amor que têm por aquilo que é seu por direito próprio".
Contudo, o MyiArts apoia o Plano de Acessibilidade Pedonal, expressando que "a criação de mais passadeiras, ciclovias e o rebaixamento de passeios são de aplaudir" e representam "acções que vão melhorar a vida de quem mais precisa".
Na quinta-feira, a Associação Nacional da Indústria Extractiva e Transformadora (ANIET) criticou também a decisão de retirar a calçada de alguns locais da cidade, lamentando que Portugal "não valorize o melhor que tem".
"O próprio município de Lisboa tem uma escola de calceteiros e os trabalhadores têm sido convidados a executar trabalhos em várias cidades estrangeiras e têm arrecadado distinções internacionais", referiu a directora executiva, Francelina Pinto.
O Plano de Acessibilidade Pedonal é uma "prioridade política do executivo", afirmou o vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, aquando da aprovação na passada terça-feira em assembleia municipal, frisando que o objectivo é tornar Lisboa numa "cidade para todas as pessoas, de todas as idades, com e sem deficiência, com mais e menos condições para andar a pé".
O responsável fez a distinção entre calçada artística e "calçada sem qualidade", associada a uma "generalização ao uso de cubos de vidraço" e que levou a uma aplicação em zonas menos adequadas (como ruas inclinadas, já que o polimento acelerado do calcário o torna escorregadio), à utilização de materiais de menor qualidade, ao aumento do volume de trabalho (com redução de tempo de execução e do preço e desencorajando o uso de mão-de-obra especializada) e tornou a fiscalização mais difícil.
O Plano de Acessibilidade Pedonal visa também prevenir o aparecimento de novas barreiras e adaptar as edificações existentes, actuando assim nos equipamentos municipais, na articulação com a rede de transporte público e na via pública.
O documento refere que a execução deste plano será financiada pela própria autarquia, o que não "implica que a Câmara de Lisboa seja a única fonte de financiamento". Por outro lado, a mudança da calçada será "sempre progressiva".
"A Câmara de Lisboa não dispõe nem de meios nem de tempo para proceder a uma substituição instantânea ou integral. Não se trata, por isso, de acabar com a calçada. Nem faz sentido afirmar que ou se mantém toda a calçada ou os passeios se tornam uma manta de retalhos, ou que não se deve alterar o revestimento enquanto não se ordenarem as infra-estruturas de subsolo em toda a cidade", lê-se no plano.
Lusa/SOL
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Plano de Acessibilidade Pedonal aprovado por unanimidade
A Assembleia Municipal (AM) de Lisboa aprovou hoje por unanimidade o Plano de Acessibilidade Pedonal, que visa facilitar a mobilidade na capital eliminando barreiras arquitetónicas até 2017.
Afirmando que este plano é uma "prioridade política do executivo", o vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, frisou que o objetivo é tornar Lisboa numa "cidade para todas as pessoas, de todas as idades, com e sem deficiência, com mais e menos condições para andar a pé".
O vereador rejeitou ainda a ideia de que o plano pretenda substituir toda a calçada portuguesa, afirmando que irão ser usados em alguns locais "pavimentos menos perigosos".
"Seremos os primeiros a defender uma boa calçada à portuguesa", disse.
Do lado dos deputados, todos se mostraram a favor do plano, tendo alguns apontado algumas melhorias ao projeto, como a deputada Ana Páscoa, do PCP, preocupada com o relatório de execução orçamental, que considerou "muito reduzido".
Considerando que o principal defeito do plano foi "não ter vindo mais cedo, João Pereira, do PSD, recomendou ainda a "alteração em sede de PDM da classificação de algumas vias, da temporização dos semáforos verdes dos peões e a salvaguarda do canal de circulação pedonal".
Afirmando que este plano é uma "prioridade política do executivo", o vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, frisou que o objetivo é tornar Lisboa numa "cidade para todas as pessoas, de todas as idades, com e sem deficiência, com mais e menos condições para andar a pé".
O vereador rejeitou ainda a ideia de que o plano pretenda substituir toda a calçada portuguesa, afirmando que irão ser usados em alguns locais "pavimentos menos perigosos".
"Seremos os primeiros a defender uma boa calçada à portuguesa", disse.
Do lado dos deputados, todos se mostraram a favor do plano, tendo alguns apontado algumas melhorias ao projeto, como a deputada Ana Páscoa, do PCP, preocupada com o relatório de execução orçamental, que considerou "muito reduzido".
Considerando que o principal defeito do plano foi "não ter vindo mais cedo, João Pereira, do PSD, recomendou ainda a "alteração em sede de PDM da classificação de algumas vias, da temporização dos semáforos verdes dos peões e a salvaguarda do canal de circulação pedonal".
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Novos projectos em Lisboa promovem calçada e incentivam formação de calceteiros
Numa altura em que a Câmara de Lisboa discute o Plano de Acessibilidade Pedonal, que prevê remover a calçada portuguesa em algumas ruas da cidade, surgem projectos para promover a arte de calcetar e criar emprego.
O Plano de Acessibilidade Pedonal foi aprovado pela câmara em Dezembro e, na sexta-feira, foi apresentado aos deputados da assembleia municipal. O documento tem levantado críticas de associações de defesa do património e da oposição, que se opõem à limitação da calçada portuguesa a zonas turísticas.
Ao mesmo tempo, um pouco por toda a cidade, começam a surgir projectos que chamam a atenção para a calçada, a importância de a manter e cuidar e de formar calceteiros.
No Beco do Rosendo, a associação Renovar a Mouraria aliou a necessidade de criar emprego com a de melhorar a acessibilidade pedonal.
A presidente da associação, Inês Andrade, conta à agência Lusa que fez uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia e com uma empresa de construção civil para formar quatro desempregados na arte de calcetar.
"Juntámos o útil ao agradável. São quatro pessoas excelentes, na associação e mesmo na empresa estamos muito contentes com o trabalho deles. Vamos recomendá-los à junta de freguesia [de Santa Maria Maior] para que sejam eles a fazer os trabalhos de manutenção da calçada e mesmo trabalhos de construção civil", diz.
Com a discussão do Plano de Acessibilidade Pedonal e as críticas que lhe seguiram, Inês Andrade destaca a importância da manutenção e da qualidade da calçada -- antes da sua remoção.
"A calçada pode ser perigosa se não for bem colocada e, se não houver manutenção, pode ficar escorregadia. Bem colocada e mantida terá uma maior durabilidade", admite.
Por outro lado, para melhorar a acessibilidade nas proximidades do Beco, com uma população idosa, vão ser instalados corrimãos (para apoio nas escadarias íngremes do bairro) e uma calha para "bicicletas e carrinhos de bebé".
José António, de 19 anos, vive na Mouraria. Espera que a formação seja útil no futuro, mas lamenta que o Plano de Acessibilidade Pedonal possa limitar o novo trabalho.
"Podia haver mais trabalho, mas com menos calçada vai ser difícil. É pena que noutros países, como Angola e Brasil, se valorize a calçada e aqui não", diz.
Mamadu Dalde e Mamadu Radialo, de 22 e 60 anos, também pretendem trabalhar com calçada em Lisboa. "Há muitas ruas para arranjar. Basta que a câmara e a junta de freguesia queiram", defende José.
Também Patrícia Simões e Tiago Custódio, do projecto neoFOFO, lamentam a falta de formação de novos calceteiros.
Desde o início de Dezembro, estes dois jovens têm colocado 'calçada fofa', pequenos cubos de madeira envolvidos em lã colorida, nos espaços vazios dos passeios lisboetas.
"Buracos não faltam", atira Tiago, numa manhã de mais uma 'calcetagem fofa'. Em Benfica, os dois jovens limpam um buraco no passeio. Ali faltavam mais de dez pedras de calçada. Escolhem os seus 'neofofos', desenham um padrão.
"Qual é o objectivo? É para chamar a atenção para os buracos na calçada?", pergunta uma idosa. Patrícia responde que também, mas que principalmente é para "criar sensações".
A jovem afirma que o momento do lançamento do projecto "é coincidência" com o plano municipal, mas admite outros entendimentos: "Gostamos muito de calçada, da calçada fofa, mas mais da calçada portuguesa. Dos seus padrões, desenhos".
Tiago lamenta o estado da calçada e apela a uma maior -- e melhor -- manutenção.
"Percebemos que as pessoas possam cair, que as senhoras fiquem com os saltos presos, os custos... mas a calçada faz parte do nosso património", diz Patrícia.
Padrão de calçada 'fofo' escolhido, é tempo de fixar as peças ao chão com uma argamassa -- uma sugestão feita por um calceteiro profissional via Facebook.
A 'calçada fofa' está em mais de 30 locais de Lisboa. O primeiro 'neofofo' foi calcetado na zona de Benfica. A Estrada de Benfica é uma das primeiras ruas onde a câmara admite remover a calçada portuguesa.
Lusa/SOL
O Plano de Acessibilidade Pedonal foi aprovado pela câmara em Dezembro e, na sexta-feira, foi apresentado aos deputados da assembleia municipal. O documento tem levantado críticas de associações de defesa do património e da oposição, que se opõem à limitação da calçada portuguesa a zonas turísticas.
Ao mesmo tempo, um pouco por toda a cidade, começam a surgir projectos que chamam a atenção para a calçada, a importância de a manter e cuidar e de formar calceteiros.
No Beco do Rosendo, a associação Renovar a Mouraria aliou a necessidade de criar emprego com a de melhorar a acessibilidade pedonal.

A presidente da associação, Inês Andrade, conta à agência Lusa que fez uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia e com uma empresa de construção civil para formar quatro desempregados na arte de calcetar.
"Juntámos o útil ao agradável. São quatro pessoas excelentes, na associação e mesmo na empresa estamos muito contentes com o trabalho deles. Vamos recomendá-los à junta de freguesia [de Santa Maria Maior] para que sejam eles a fazer os trabalhos de manutenção da calçada e mesmo trabalhos de construção civil", diz.
Com a discussão do Plano de Acessibilidade Pedonal e as críticas que lhe seguiram, Inês Andrade destaca a importância da manutenção e da qualidade da calçada -- antes da sua remoção.
"A calçada pode ser perigosa se não for bem colocada e, se não houver manutenção, pode ficar escorregadia. Bem colocada e mantida terá uma maior durabilidade", admite.
Por outro lado, para melhorar a acessibilidade nas proximidades do Beco, com uma população idosa, vão ser instalados corrimãos (para apoio nas escadarias íngremes do bairro) e uma calha para "bicicletas e carrinhos de bebé".
José António, de 19 anos, vive na Mouraria. Espera que a formação seja útil no futuro, mas lamenta que o Plano de Acessibilidade Pedonal possa limitar o novo trabalho.
"Podia haver mais trabalho, mas com menos calçada vai ser difícil. É pena que noutros países, como Angola e Brasil, se valorize a calçada e aqui não", diz.
Mamadu Dalde e Mamadu Radialo, de 22 e 60 anos, também pretendem trabalhar com calçada em Lisboa. "Há muitas ruas para arranjar. Basta que a câmara e a junta de freguesia queiram", defende José.
Também Patrícia Simões e Tiago Custódio, do projecto neoFOFO, lamentam a falta de formação de novos calceteiros.
Desde o início de Dezembro, estes dois jovens têm colocado 'calçada fofa', pequenos cubos de madeira envolvidos em lã colorida, nos espaços vazios dos passeios lisboetas.
"Buracos não faltam", atira Tiago, numa manhã de mais uma 'calcetagem fofa'. Em Benfica, os dois jovens limpam um buraco no passeio. Ali faltavam mais de dez pedras de calçada. Escolhem os seus 'neofofos', desenham um padrão.
"Qual é o objectivo? É para chamar a atenção para os buracos na calçada?", pergunta uma idosa. Patrícia responde que também, mas que principalmente é para "criar sensações".
A jovem afirma que o momento do lançamento do projecto "é coincidência" com o plano municipal, mas admite outros entendimentos: "Gostamos muito de calçada, da calçada fofa, mas mais da calçada portuguesa. Dos seus padrões, desenhos".
Tiago lamenta o estado da calçada e apela a uma maior -- e melhor -- manutenção.
"Percebemos que as pessoas possam cair, que as senhoras fiquem com os saltos presos, os custos... mas a calçada faz parte do nosso património", diz Patrícia.
Padrão de calçada 'fofo' escolhido, é tempo de fixar as peças ao chão com uma argamassa -- uma sugestão feita por um calceteiro profissional via Facebook.
A 'calçada fofa' está em mais de 30 locais de Lisboa. O primeiro 'neofofo' foi calcetado na zona de Benfica. A Estrada de Benfica é uma das primeiras ruas onde a câmara admite remover a calçada portuguesa.
Lusa/SOL
Noticia: http://sol.sapo.pt/
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