Se precisa de um bom pavimento de Calçada à Portuguesa em sua casa, Roc2c é a solução!
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sexta-feira, 7 de março de 2014

O chão de pedras pretas e brancas nasceu há 172 anos

A calçada portuguesa como hoje a conhecemos surgiu em 1842 pela mão de reclusos e pela mente do Governador de armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa. A ideia do engenheiro militar Eusébio Furtado era fazer um pavimento de pequenas pedras pretas e brancas, em ziguezague, na fortaleza e nos arredores do castelo.

Uma irreverência na época que fez sucesso. Rapidamente a calçada propagou-se pela cidade. Em 1848, foi aprovado o projecto da autoria deste tenente-general, que visava revestir toda a Praça do Rossio com a calçada portuguesa. Ao fim de 323 dias, uma área de 8712 metros quadrados a que se chamou Mar Largo, com desenhos a homenagear os descobrimentos portugueses, ficou concluída. Daqui partiu-se para cobrir os passeios e mais ruas de toda a capital com a calçada portuguesa. Em 1867, foi o Largo de Camões; em 1870 o Príncipe Real; em 1876 a Praça do Município; em 1877 o Cais do Sodré; o Chiado em 1894; e a Avenida da Liberdade em 1879.

Nesse ano, a novidade inspirou o poeta Cesário Verde. Em Cristalizações, este autor descreve o trabalho dos calceteiros que "De cócoras, em linha (…), Com lentidão, terrosos e grosseiros, Calçam de lado a lado a longa rua".

Actualmente existem cerca de 20 calceteiros em Portugal. Apesar de a Câmara de Lisboa ter criado, em 1986, a Escola de Calceteiros “devido à preocupação de perder os conhecimentos sobre calcetar”, lê-se no site do município, o número de profissionais tem vindo a diminuir acentuadamente. Entre os anos 40 e 50 eram 400. É uma profissão especializada que é feita por poucos em muitos locais.

De Norte a Sul, pisa-se a calçada portuguesa. Apesar de Lisboa ser a cidade-modelo, muitas ruas e praças do país têm este chão histórico. No Norte, nas cidades de Guimarães, Aveiro, Porto, nasceram diversos apontamentos nas ruas históricas. No Centro, em Coimbra, Castelo Branco, Santarém. A Sul, do Alentejo ao Algarve, de Sines a Lagos, Portimão, Faro e Tavira, existem ruas que, de uma ponta à outra, não escaparam à calçada. Nos Açores e na Madeira, as pedras cúbicas também chegaram e mantêm-se nas ilhas. Além fronteiras, por onde os portugueses passaram, também se deixou esta marca no solo. Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Macau têm até hoje a calçada portuguesa em pontos de algumas das suas ruas.

Pelo mundo, a calçada tem diferentes cores e desenhos geométricos. Quando nasceu no século XIX, a matéria-prima era o basalto. Mas por ser de difícil corte passou a ser utilizado o calcário. Em redor de Lisboa nasceram várias explorações, atingindo as 80 pedreiras só nas proximidades da capital. Hoje, os principais locais de extracção situam-se no distrito de Leiria e Santarém, e na orla Algarvia, existindo cerca de 300.

Pretos, cinzentos-claros, cinzentos-escuros, cor-de-rosa e brancos, os calcários desenham várias formas. De superfície lisa e brilhante, a pedra torna-se mais cintilante em dias de chuva, e por vezes escorregadia. É uma característica que não agrada a todos e que tem provocado discussões políticas e sociais entre quem defende o início do seu fim e de quem a defende como património histórico que deve ser preservado.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O PRIMEIRO CÓDIGO QR DO MUNDO FEITO EM CALÇADA PORTUGUESA

Roc2c está disponível para executar trabalhos em calçada à portuguesa com os inovadores QR codes

Noticía: 
A calçada portuguesa está a ficar mais moderna

"A calçada portuguesa já não é o que era. Um código QR (códigos que podem ser lidos por 'smartphones') feito em pedra com informação sobre o Chiado e calcetes de granito que ajudam a tornar os passeios mais seguros, são as duas últimas novidades da tradicional calçada portuguesa, pelo menos na zona de Lisboa.
 
Como seria de esperar, o primeiro código QR (uma espécie de código de barras - mas aos quadradinhos - que oferece ligação a conteúdos online) do mundo feito com calçada portuguesa foi criado por portugueses e pode ser visto em Lisboa, na rua Garrett, Chiado.
 
A iniciativa arrancou a pedido da Associação de Valorização do Chiado e foi desenvolvia pela agência MSTF. Em declarações ao Boas Notícias, Tomás Froes, um dos sócios da empresa, explicou que a inspiração para esta inovação veio do próprio padrão da calçada portuguesa.

Image and video hosting by TinyPic 
"Os códigos QR são 'desenhados' através de pequenos píxeis pretos e brancos que, no seu conjunto, criam um código único" e foi esta disposição gráfica que remeteu os criativos da MSTF para desenhar um QR "único e português" feito de calçada portuguesa, explica. 
 
Quem usar o seu 'smartphone' para ler este código QR acede a uma página onde lê a frase "Acabou de ler o primeiro código QR do mundo feito em calçada portuguesa" e onde, além de informação histórica sobre a calçada, há um clip sonoro com som dos calceteiros a colocar as pedras. Depois, o utilizador é encaminhado para outras páginas com informações culturais e turísticas da zona da Baixa . 
  
Este código QR original foi inaugurado no final de Julho e surpreende também pelas suas enormes dimensões: ao passo que os tradicionais QR codes têm poucos centímetros, o do Chiado apresenta o gigantesco formato de um metro de largura por um metro de altura.
 
Em pouco mais de um mês, revela Tomás Froes, já cerca de 16.000 pessoas "leram" este QR CODE,  das quais 40% são estrangeiras (esta tecnologia permite conhecer o IP do smartphone que a aceder e saber a nacionalidade e origem do operador).
 
Esta fusão da tecnologia e da tradição histórica portuguesa está a criar furor, tendo já sido publicados vários artigos sobre a novidade em sites e outros meios de comunicação estrangeiros, sobretudo no Brasil. Aliás, o próximo objetivo da MSTF é exportar esta inovação para outras cidades do país e do mundo.

A calçada portuguesa, em calcário branco e basalto negro, encontra-se espalhada um pouco por todo o mundo. Foi empregue, pela primeira vez, em Lisboa no ano de 1842, por presidiários, então chamados "grilhetas""

Informação do QR code no Chiado em Lisboa:
"ACABOU DE LER O PRIMEIRO CÓDIGO QR DO MUNDO FEITO EM CALÇADA PORTUGUESA
HISTÓRIA

Olá, bem vindo ao Chiado, o coração de Lisboa. Neste preciso momento os seus pés estão sobre calçada portuguesa que é originária de Portugal e que surgiu por volta de 1500 pela mão do Rei D. Manuel I. Foram as cartas régias de 20 de Agosto de 1498 e de 8 de Maio de 1500, assinadas pelo rei D. Manuel I, que marcam o início do calcetamento das ruas de Lisboa, mais notavelmente o da Rua Nova dos Mercadores.

Esta arte resulta do calcetamento com pedras de formato irregular, de calcário e basalto, que são usadas para formar padrões decorativos pelo contraste criado entre as pedras pretas e brancas e o conceito de pavimentação está aliado a uma certa mentalidade romântica, onde se afirma o valor do nacionalismo, que se vai expressar na busca do passado de signos, fatos e mitos considerados marcos fundamentais da história de Portugal e da construção da identidade nacional.

São utilizados por isso na calçada portuguesa padrões e elementos decorativos tipicamente portugueses, relacionados com atividades socio económicas, peixes, frutos, cereais, animais, artesanato e sobretudo o período dos Descobrimentos marítimos onde pontificam caravelas, sereias, cordas, conchas, ondas do mar, estrelas e esferas armilares. A calçada portuguesa rapidamente se espalhou por todo o país e colónias tendo-se apurado o sentido artístico, que foi aliado a um conceito de funcionalidade, originando autênticas obras-primas nas zonas pedonais. Daqui, bastou somente mais um passo, para que esta arte ultrapassasse fronteiras, sendo solicitados mestres calceteiros portugueses para executar e ensinar estes trabalhos no estrangeiro.

 
E hoje em pleno secúlo XXI esta arte secular funde-se com a mais moderna tecnologia para o inspirar numa experiência"

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Projeto de Requalificação da Av. D. José Alves Correia da Silva - Fátima 4ª semana

Terminado o 1 º mês em Fátima, as nossas equipas de trabalho têm feito muitos progressos, cerca de 2500 metros quadrados concluído em quatro semanas. Continuamos pavimentação da avenida e começou os estacionamentos perto da rotunda principal de Fátima.


Estacionamentos - Trabalhos em curso


Trabalho em progresso - Rotunda e vista estacionamentos


Roc2c equipe de trabalho


Vista rua - trabalho em andamento


Finished pavement

Av. D. José Alves Correia da Silva, Fátima, Ourém, Portugal

Fotos: Celso Gonçalves Roc2c

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Projeto de Requalificação da Av. D. José Alves Correia da Silva - Fátima 1ª semana




Av. D. José Alves Correia da Silva, Fátima, Ourém, Portugal

Demos início no dia 7 de Maio de 2012, com uma equipa de 4 calceteiros, aos trabalhos de pavimentação em calçada portuguesa numa das mais movimentadas avenidas da cidade de Fátima.
Esta requalificação insere-se no "Programa de Acção para a Regeneração Urbana de Fátima", sendo a missão da Roc2c, a pavimentação de calçada à portuguesa.
As áreas de estacionamento e de circulação automóvel são compostas por granito cinzento escuro, com as dimensões 10x20x10cm. O assentamento é feito à fiada, tipo espinha de peixe, alternando o sentido do mesmo, no estacionamento e no eixo da via. O calcário branco, com as dimensões 10x10x10cm, é usado para delimitar a linha de valeta e o eixo da rodovia como sinalização horizontal.
No 1º dia de trabalho, a chuva causou-nos algum transtorno, mas apesar disso, os trabalhos decorreram com naturalidade. Depois de definidas as cotas e alinhamentos, iniciamos a pavimentação.
Nos dias seguintes, e de forma gradual, o sol marcou presença, possibilitando à nossa equipa de calceteiros um bom ritmo de trabalho, com uma média de 200 metros quadrados por dia.
Sendo Fátima um local de culto religioso e dada a proximidade das celebrações do 13 de Maio de 1917, Aparições de Fátima, são já milhares os peregrinos que finalizam a sua jornada, notando-se a cada dia uma maior afluência de pessoas.

Fotos: Celso Gonçalves Roc2c

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Praia da Nazaré, passeio ao longo da marginal em calçada à portuguesa

Topo da Av. da República

Marginal da Nazaré

Uma praia espectacular, desde os pescadores aos enormes penhascos sobre um mar de um azul intenso fazem desta vila piscatória um destino turístico de eleição, sobretudo devido às suas características tradicionais, tal como o passeio em calçada à portuguesa ao longo da marginal, onde se distinguem as ondas em pedra preta.

Fotos: Celso Gonçalves Roc2c

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rio de Janeiro importa conhecimento de Lisboa para revitalizar calçada portuguesa,"Mar Largo"


O Rio de Janeiro está a importar conhecimento de Portugal para resolver um problema antigo na cidade: a má conservação das calçadas de pedra portuguesa.

O desafio é revitalizar uma profissão que está quase extinta, a de calceteiro.
Os calceteiros são responsáveis pela arte de recuperar e fixar as pedras portuguesas nos passeios públicos.

Neste mês de novembro, cinco mestres portugueses de Lisboa estiveram no Rio de Janeiro para formar uma turma de 20 calceteiros que irão replicar o conhecimento para outros que se querem formar na profissão.

"Podemos dizer que as calçadas portuguesas são um pedacinho de Portugal espalhado pelo mundo", disse à Lusa o fiscal de obras da Câmara de Lisboa, Fernando Fernandes, o responsável que coordena os quatro mestres portugueses que vieram ajudar na formação dos calceteiros brasileiros.

"Essa profissão no fundo é uma arte, a arte de trabalhar a pedra. De facto, é uma profissão que corre o risco de extinção, não só cá no Brasil como em Portugal. É uma arte muito dura pela posição do trabalho e o partir a pedra é um trabalho duro também. Hoje em dia infelizmente não é muito bem remunerado", ressaltou Fernandes.

Segundo o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos da cidade do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, a cidade do Rio é "uma grande cidade portuguesa na América do Sul".

Porém, "ao longo dos anos, o Rio de Janeiro foi perdendo a arte de assentamento das pedras portuguesas", destaca Osório.

"Existe uma especialidade, uma técnica que precisa ser recuperada. E o nosso projeto é que nós possamos formar uma nova geração".



Entre as principais vantagens deste tipo de piso, acrescenta Osório, está a facilidade de absorção de água de infiltração, principalmente numa cidade tropical com fortes volumes de chuva, além de não acumular calor pois o calcário de cor branca reflete.

O carioca Gedião Azevedo, de 47 anos, fez parte da primeira turma de calceteiros na década de 90 e hoje está a reciclar o conhecimento. Apesar de não ter nascido português, a sua paixão é pela pedra portuguesa, garante.

"Os meus colegas estão super animados. Em relação ao trabalho, o mestre português mesmo falou que evoluímos muito", disse à Lusa.

"A paixão da minha vida é a pedra portuguesa, não nasci português, mas sou apaixonado pela pedra portuguesa", destaca.

O Rio de Janeiro possui 1,218 milhão de metros quadrados de calçada em pedras portuguesas.

Muitas áreas do Rio são classificadas, como o desenho em curvas do calçadão de Copacabana, criação do paisagista e arquiteto Burle Max, inspirada na obra histórica da Praça do Rossio, em Lisboa, que usa o padrão "Mar Largo".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pavimento de pedra como Arte


O pavimento de pedra é uma arte com uma longa história.Os Romanos são os mais conhecidos neste tipo de trabalho, tanto no interior de edifícios como no exterior, fizeram com intrincados desenhos, bonitos e coloridos, mas, em Portugal, não foram só os romanos que influenciaram este tipo de trabalho, ocupação Árabe do território , também foi importante para o desenvolvimento das técnicas

Uma das razões mais importantes para este tipo de pavimento foi para evitar que a lama no chão e ruas porque o espaço entre as pedras permite que a água da chuva para ser absorvido, mas existem outras vantagens, como é a durabilidade, a fácil e barato para reparar
O pavimento Português é uma arte decorativa aplicada na maioria das calçadas em todo o país e ex-colónias portuguesas.


Em 1842, o comandante militar, Eusébio Furtado, ordenou aos presos no Castelo de S. Jorge, uma prisão de Lisboa, para cobrir o seu pátio com um zig-zag de azulejos. O delineamento utilizado no andar era um layout simples, mas para a época, o trabalho foi um tanto incomum, tendo dirigido os cronistas potugueses escrever sobre ele e atraiu tanta atenção, não só em Portugal, que foi objecto de um dos primeiras fotografias do mundo por Louis Daguerre.

Sete anos mais tarde, Furtado recebeu uma comissão para preparar toda a área da Praça do Rossio, no centro de Lisboa, com um padrão ondulado conhecido como o "grande mar". Depois disso, o uso de calçadas foi tornada obrigatória para todos os novos projetos de pavimentação na capital Portuguesa.
A calçada rapidamente se espalhou por todo o país e colónias e mestres Portugueses foram convidados a executar e ensinar estes trabalhos no estrangeiro, criando obras-primas em zonas pedonais.

Até o início do século XX, os desenhos foram feitos pelos próprios artesãos, os "calceteiros", que foram inspiradas em motivos tradicionais como esferas armilares, navios, bússola rosas, cordas, cruzes, coroas, estrelas do mar brasões, emblemas, ondas do mar, algas, âncoras, animais estilizados e aves, golfinhos e caranguejos.Nos anos cinquenta mudou e os projetos começaram a ser feitas por arquitetos e artistas.


Os mosaicos exigem trabalho árduo para manter, fazendo com que a arte tradicional dos calceteiros raros e caros. É um trabalho árduo, onde está muito tempo meticulosamente que as pedras em uma posição prostrada.


Em novembro de 1986, a Câmara Municipal de Lisboa criou a Escola de Calceteiros, a fim de renovar a sua equipa de "mestres calceteiros" e promover a arte de pavimentação. Outras cidades em todo o país também iniciaram projetos de formação a fim de formar profissionais, homens e mulheres, na esperança de assegurar a "sobrevivência" de paralelepípedos.

A Calçada Portuguesa na História da Fotografia
Louis-Jacques-Mandé Daguerre (18 de novembro, 1787 - 10 julho de 1851) foi um artista francês e químico, reconhecido pela sua invenção do daguerreótipo processo da fotografia.

Uma de suas fotos representa a primeira "Calçada Portuguesa" No Castelo de S.Jorge, 1842

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O arquitecto alemão que se apaixonou pela calçada portuguesa

Thomas, 29 anos, quis aprender a arte com os melhores calceteiros do mundo. A fama dos mestres lisboetas chegou à Escócia, onde estudava.

"Tens de tirar a fotografia é ao mestre." Quando o fotógrafo o enquadra, Thomas Riese pede para não ser protagonista numa arte que não é a sua: a de calcetar passeios. Mas fica descansado. Jorge Duarte já falou connosco. "Tu é que és o artista hoje", confirma o mestre. "Artista. Não gosto da palavra. Parece que não sabemos o que estamos a fazer", responde Thomas, enquanto se ajeita no banco e retoma a posição: pernas arqueadas e costas curvadas sobre o areão. À sua frente estão alguns metros de calçada portuguesa direitinha, o seu trabalho da manhã. Thomas, o alemão que apareceu na Escola de Calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa para aprender a fazer calçada portuguesa, contrasta com o resto do grupo: o mestre Jorge, com o ar épico dos heróis comunistas, Vítor, o surdo-mudo que percebe assobios, e Rui Dias, o Cristo, alcunha ganha pelo desgrenhado das barbas e do cabelo. Thomas contrasta pelo aspecto de alemão - olhos azuis, cabelo e pele claros - e pela juventude dos seus 29 anos. Thomas é o único aluno de Jorge. A escola de Calceteiros existe há 23 anos. Desde 2007 que o mestre não tem a quem ensinar.

A poucos metros da fachada do Palácio da Independência onde o grupo refaz a entrada, está o Rossio, uma das primeiras praças a ser calcetada. Nos passeios, as ondas enchem a praça há 160 anos e as medidas de Thomas desde que é arquitecto paisagista. O gosto pela escultura trouxe-o a Lisboa, porque a fama destes calceteiros chegou à Escócia, onde estudava.

"Disseram-me que aqui se faz a melhor calçada do mundo", diz num português irrepreensível para quem chegou há um mês e meio. E não ficou desiludido. Quando não está a partir pedra, Thomas fotografa passeios, imagina composições e lê. Lê todos os livros que falem de calçada - "tens de ler o livro do Eduardo Bairrada", aconselha Thomas. O livro "Empedrado Artístico de Lisboa" é a bíblia dos calceteiros, o manual que a câmara ofereceu aos alunos da escola nos anos 80.

Aprender a fazer calçada não é um passatempo para Thomas e o mestre certifica o seu talento, enquanto aponta para a fila de quadrados de calcário enterrados no areão. "Está a ver? Eu fiz o do lado direito e ele o esquerdo. Não se nota diferença. Ele gosta disto", diz Jorge que é formador da escola desde 1998. Já lhe passaram dezenas de alunos pela mão. Jorge não diz que Thomas é um dos melhores que já ensinou até porque não é aluno. "Ele vem connosco mas pode ir embora quando quiser", diz.

Mas o trabalho do alemão impressiona-o e o seu empenho também. Thomas cumpre o mesmo horário que os calceteiros - das oito às 18 horas - e aprende a fazer calçada com a mesma rapidez com que passou a falar português. "Ele já faz sextavados [quando as faces das peças formam hexágonos regulares], que é uma das técnicas mais difíceis", assegura o mestre.

Jorge também gosta disto. "Não sou calceteiro de fazer muita calçada, não sou, nunca fui. Quando estou a trabalhar, tenho de fazer como deve ser. E tenho vaidade naquilo que faço. Gosto de investir algum tempo a ver como vou fazer o desenho." Talvez seja por isso que Jorge constrói puzzles nas horas livres. Porque para fazer calçada é preciso escolher bem as pedras, avaliar-lhes o volume e colocá-las no sítio certo. "Sabe qual é a pior coisa para um calceteiro? É ter uma pedrinha assim e calha dar- -lhe um toquezinho e ela desfaz-se." E Jorge parte pedra como quem escreve ao computador todos os dias. Já não precisa de olhar e reconhece o martelo pelo tacto.

Thomas só começou agora, mas não quer deixar fugir a experiência. Até porque no final de Agosto volta para a Alemanha. "Mas ele já andou aí a comprar pedra para levar para lá", conta Jorge. Thomas quer fazer um projecto de um jardim com as pedras que encomendou durante o fim-de-semana, quando foi visitar a pedreira em Leiria.

Depois de Thomas regressar a Colónia, o mestre ficará sem alunos. "E este ano já sabe se vão abrir a turma?" Jorge ainda não sabe de certeza, mas desconfia da resposta que o Instituto de Emprego e Formação Profissional lhe vai dar.

Aprender a partir pedra Entrar na Quinta Conde de Arcos da Câmara Municipal de Lisboa, encaixada no meio da algazarra dos Olivais, é como chegar a um novo tempo. As horas agrupam-se em dois blocos, o da manhã e o da tarde, e correm tranquilas para não importunar o ritmo ditado pela natureza. Foi nestes jardins que tudo começou para Jorge. A escola de calceteiros é aqui.

"Aqui está o 2007", diz o mestre enquanto mexe com o pé nas ervas que nascem entre as pedras da calçada. Os desenhos da última turma foram engolidos pelo jardim que rodeia o passeio de pedra. Aos poucos - depois de vigorosas catanadas -, as ervas desaparecem. Lá está o sete, os dois zeros e ainda o dois: 2007. O último ano em que o mestre Jorge teve alunos.

"Ficou alguém desta turma?"

"Esta malta deste último curso? Não tenho cá ninguém. Um, o Teixeira - que tinha um motão -, é nosso colega. Está aí à noite. É cantoneiro."

Foi o único a ficar na câmara. "Os formandos são um bocado difíceis de captar para esta arte. É dura, apesar de ele ter bom físico", explica o arquitecto José Aparício olhando para Jorge. E bate-lhe no ombro para que não restem dúvidas da dureza do músculo. Confirma-se. O braço é largo e as mãos calejadas, como se espera de quem faz a vida a vestir passeios. "Os mais antigos estão todos com problemas de coluna. Têm de estar de cócoras ou sentados para executar a calçada. Ao fim de uns anos começam a ficar muito desgastados", continua o arquitecto que coordena o curso desde 1986, o ano em que Jorge entrou como aluno.

Dois anos depois, "a 4 de Abril de 1988", lembra Jorge, o mestre, então ajudante de calceteiro, estava já na rua a partir pedra. Começou quando ser calceteiro era uma profissão de muitas categorias - ajudante de calceteiro, calceteiro de 1.a, de 2.a, mestre e batedor. "Eu ainda cheguei a fazer dois ou três concursos. Tínhamos de fazer o desenho, os mestres viam o cascalho... Hoje já não há concursos." As categorias encolheram. "Hoje só há o ajudante, o calceteiro e o batedor", enumera Jorge. É uma ascensão mais rápida numa profissão que poucos querem. Fazer calçada não atrai quem lê os anúncios dos centros de emprego, nem mesmo quando a câmara alicia os desempregados com a promessa de um contrato e um lugar fixo na função pública.
"O que mexe o homem é o dinheiro. Se pagassem melhor, evitava-se que os que aprenderam fujam para outras profissões", sugere o arquitecto. No final de cada mês, Jorge ganha 730 euros, sem descontos, como mestre calceteiro. "A calçada normal que nós fazemos custa 17,20 euros o metro quadrado. Já vi calçadas a dois euros, mas isso são outras empresas", explica Jorge, referindo-se àquelas que a câmara contrata para calcetar a maior parte dos passeios. "O aspecto estético não é o mesmo. Se passar um carro, cria ondas que levantam o pavimento - e lá estão os sapatos das senhoras a ficar presos na calçada", diz. "E sabe uma coisa? Às vezes nem digo que sou calceteiro". Por vergonha? "Não é por vergonha do trabalho... É pelos buracos que os outros deixam."

http://www.ionline.pt

photos Roc2c
Celso Gonçalves

sábado, 13 de novembro de 2010

Especialistas de Portugal dão aulas no Rio sobre pedras portuguesas

08/11/2010 19h36 - Atualizado em 08/11/2010 20h08


Deficiência de mão de obra para os consertos deu origem ao curso.
A turma é formada por 60 calceteiros profissionais.

Do RJTV


O Rio de Janeiro está importando conhecimento de Portugal para resolver um velho problema na cidade: a má conservação das calçadas de pedra portuguesa. A deficiência de mão de obra para os consertos deu origem a um curso, que será dado por cinco mestres calceteiros da prefeitura de Lisboa.

A aula inaugural desse intercâmbio de três semanas aconteceu na tarde desta segunda-feira (8), no Arquivo Geral do Rio, no Centro. A turma é formada por 60 calceteiros profissionais. Mas apenas oito são funcionários da prefeitura.

O objetivo é que, ao fim do curso, eles consigam repassar o que foi aprendido. Os mestres portugueses também vão analisar o estado das calçadas cariocas e vão apresentar sugestões de melhoria.