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sexta-feira, 7 de março de 2014

O chão de pedras pretas e brancas nasceu há 172 anos

A calçada portuguesa como hoje a conhecemos surgiu em 1842 pela mão de reclusos e pela mente do Governador de armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa. A ideia do engenheiro militar Eusébio Furtado era fazer um pavimento de pequenas pedras pretas e brancas, em ziguezague, na fortaleza e nos arredores do castelo.

Uma irreverência na época que fez sucesso. Rapidamente a calçada propagou-se pela cidade. Em 1848, foi aprovado o projecto da autoria deste tenente-general, que visava revestir toda a Praça do Rossio com a calçada portuguesa. Ao fim de 323 dias, uma área de 8712 metros quadrados a que se chamou Mar Largo, com desenhos a homenagear os descobrimentos portugueses, ficou concluída. Daqui partiu-se para cobrir os passeios e mais ruas de toda a capital com a calçada portuguesa. Em 1867, foi o Largo de Camões; em 1870 o Príncipe Real; em 1876 a Praça do Município; em 1877 o Cais do Sodré; o Chiado em 1894; e a Avenida da Liberdade em 1879.

Nesse ano, a novidade inspirou o poeta Cesário Verde. Em Cristalizações, este autor descreve o trabalho dos calceteiros que "De cócoras, em linha (…), Com lentidão, terrosos e grosseiros, Calçam de lado a lado a longa rua".

Actualmente existem cerca de 20 calceteiros em Portugal. Apesar de a Câmara de Lisboa ter criado, em 1986, a Escola de Calceteiros “devido à preocupação de perder os conhecimentos sobre calcetar”, lê-se no site do município, o número de profissionais tem vindo a diminuir acentuadamente. Entre os anos 40 e 50 eram 400. É uma profissão especializada que é feita por poucos em muitos locais.

De Norte a Sul, pisa-se a calçada portuguesa. Apesar de Lisboa ser a cidade-modelo, muitas ruas e praças do país têm este chão histórico. No Norte, nas cidades de Guimarães, Aveiro, Porto, nasceram diversos apontamentos nas ruas históricas. No Centro, em Coimbra, Castelo Branco, Santarém. A Sul, do Alentejo ao Algarve, de Sines a Lagos, Portimão, Faro e Tavira, existem ruas que, de uma ponta à outra, não escaparam à calçada. Nos Açores e na Madeira, as pedras cúbicas também chegaram e mantêm-se nas ilhas. Além fronteiras, por onde os portugueses passaram, também se deixou esta marca no solo. Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Macau têm até hoje a calçada portuguesa em pontos de algumas das suas ruas.

Pelo mundo, a calçada tem diferentes cores e desenhos geométricos. Quando nasceu no século XIX, a matéria-prima era o basalto. Mas por ser de difícil corte passou a ser utilizado o calcário. Em redor de Lisboa nasceram várias explorações, atingindo as 80 pedreiras só nas proximidades da capital. Hoje, os principais locais de extracção situam-se no distrito de Leiria e Santarém, e na orla Algarvia, existindo cerca de 300.

Pretos, cinzentos-claros, cinzentos-escuros, cor-de-rosa e brancos, os calcários desenham várias formas. De superfície lisa e brilhante, a pedra torna-se mais cintilante em dias de chuva, e por vezes escorregadia. É uma característica que não agrada a todos e que tem provocado discussões políticas e sociais entre quem defende o início do seu fim e de quem a defende como património histórico que deve ser preservado.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rio de Janeiro importa conhecimento de Lisboa para revitalizar calçada portuguesa,"Mar Largo"


O Rio de Janeiro está a importar conhecimento de Portugal para resolver um problema antigo na cidade: a má conservação das calçadas de pedra portuguesa.

O desafio é revitalizar uma profissão que está quase extinta, a de calceteiro.
Os calceteiros são responsáveis pela arte de recuperar e fixar as pedras portuguesas nos passeios públicos.

Neste mês de novembro, cinco mestres portugueses de Lisboa estiveram no Rio de Janeiro para formar uma turma de 20 calceteiros que irão replicar o conhecimento para outros que se querem formar na profissão.

"Podemos dizer que as calçadas portuguesas são um pedacinho de Portugal espalhado pelo mundo", disse à Lusa o fiscal de obras da Câmara de Lisboa, Fernando Fernandes, o responsável que coordena os quatro mestres portugueses que vieram ajudar na formação dos calceteiros brasileiros.

"Essa profissão no fundo é uma arte, a arte de trabalhar a pedra. De facto, é uma profissão que corre o risco de extinção, não só cá no Brasil como em Portugal. É uma arte muito dura pela posição do trabalho e o partir a pedra é um trabalho duro também. Hoje em dia infelizmente não é muito bem remunerado", ressaltou Fernandes.

Segundo o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos da cidade do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, a cidade do Rio é "uma grande cidade portuguesa na América do Sul".

Porém, "ao longo dos anos, o Rio de Janeiro foi perdendo a arte de assentamento das pedras portuguesas", destaca Osório.

"Existe uma especialidade, uma técnica que precisa ser recuperada. E o nosso projeto é que nós possamos formar uma nova geração".



Entre as principais vantagens deste tipo de piso, acrescenta Osório, está a facilidade de absorção de água de infiltração, principalmente numa cidade tropical com fortes volumes de chuva, além de não acumular calor pois o calcário de cor branca reflete.

O carioca Gedião Azevedo, de 47 anos, fez parte da primeira turma de calceteiros na década de 90 e hoje está a reciclar o conhecimento. Apesar de não ter nascido português, a sua paixão é pela pedra portuguesa, garante.

"Os meus colegas estão super animados. Em relação ao trabalho, o mestre português mesmo falou que evoluímos muito", disse à Lusa.

"A paixão da minha vida é a pedra portuguesa, não nasci português, mas sou apaixonado pela pedra portuguesa", destaca.

O Rio de Janeiro possui 1,218 milhão de metros quadrados de calçada em pedras portuguesas.

Muitas áreas do Rio são classificadas, como o desenho em curvas do calçadão de Copacabana, criação do paisagista e arquiteto Burle Max, inspirada na obra histórica da Praça do Rossio, em Lisboa, que usa o padrão "Mar Largo".