Ana Clara | sexta-feira, 27 de Maio de 2011


Parte de noticia: http://www.cafeportugal.net
Fotos: Celso Gonçalves Roc2c
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As calçadas da cidade de Angra do Heroísmo encontram-se em destaque no livro A Calçada Portuguesa de Portugal, da autoria de Ernesto de Matos recentemente editado em Lisboa.
Na obra, também traduzida para inglês, são referenciados trabalhos de pavimentação com calçada em todo o país, dando-se relevo à qualidade dos padrões decorativos, aos motivos artísticos desenhados e aos materiais utilizados.
São apresentadas as pavimentações da Rua da Esperança, Praça Velha e Rua Direita. O processo de calcetamento que está a decorrer no Jardim Duque da Terceira merece especial destaque com a ilustração dos motivos e o minucioso trabalho de colocação de pedras que está a ser efectuado pelos mestres calceteiros José Areias e Mário de Oliveira.
Nas formas mais elaboradas de calcetamento nas ruas de Angra do Heroísmo, os padrões decorativos fazem-se pelo contraste de cores, utilizando-se como base o negro das rochas basálticas e traquíticas da ilha e o branco proveniente de calcário importado. As pedreiras actualmente mais usadas para a extracção de calçada localizam-se na Grota dos Calrinhos, uma vez que o material rochoso extraído é homogéneo, compacto, pouco fracturado e relativamente fácil de trabalhar.
Os calcários utilizados no calcetamento dos espaços públicos de Angra são actualmente importados da zona centro do país. A utilização de calcários provenientes de blocos de lastro, lançados por embarcações na baía de Angra, parece ter acontecido nas primeiras pavimentações, usando-se pequenos seixos rolados brancos.
Segundo a vereadora Raquel Pinheiro, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo “tem pugnado pela preservação da calçada das ruas e praças da cidade, por entender que esta é uma expressão cultural nossa e uma herança histórica a conservar”. Para esta autarca, “este tipo de revestimento do piso urbano revela-se o mais adequado ao nosso centro histórico, articulando-se perfeitamente com a modernidade. A composição plástica do conjunto de paralelepípedos e a flexibilidade das operações de montagem e desmontagem, permitem a implantação fácil de tubagens no terreno e, quando necessário, a sua reparação”, explicou.
Na obra Calçada Portuguesa de Ernesto de Matos são analisados espaços públicos de cidades históricas portuguesas como Guimarães, Porto, Tomar, Lisboa, Évora e Vila Viçosa, onde nos últimos anos a calçada portuguesa foi uma das bases da requalificação urbana, evidenciando-se algumas obras-primas desta expressão artística portuguesa.
A diversidade de materiais usados, fruto da riqueza geológica nacional, é um dos aspectos focados no livro. Os casos do Alentejo, com aplicação de mármores e xistos e do Minho e Alto Douro, com contrastes entre vários tipos de granito, permitem motivos requintados que são amplamente retratados neste trabalho.

"É um prémio com muito prestígio porque é da União Internacional dos Arquitetos", disse Siza Vieira numa conversa telefónica com a Agência Lusa a partir de Macau.
O arquiteto português acrescentou que o prémio "é uma grande satisfação", mas garante que nada vai mudar na sua vida ou na sua visão do mundo como profissional.
"Não vai alterar nada. Os prémios dão satisfação, são também uma maneira de nos conhecermos melhor", considerou o arquiteto que falava após uma receção na residência da embaixada portuguesa em Tóquio, onde foi homenageado e onde estavam presentes arquitetos de todo o mundo.
Para Siza Vieira, que recebe o prémio durante o congresso da União Internacional dos Arquitetos, os encontros são uma boa oportunidade para "trocas de ideias".
"Mas não muda nada e eu vejo os prémios numa perspetiva de que podia ter sido eu a recebê-lo ou ter sido outro porque, tratando-se de uma coisa à escala mundial, há muitíssimos bons arquitetos e é uma conjugação de circunstâncias que leva a que seja para A ou para B desde que, evidentemente, sejam pessoas com qualidade", considerou.
O prémio da União Internacional dos Arquitetos é a mais alta distinção que um arquiteto pode receber dos seus pares, pois a União congrega Ordens dos Arquitetos de todo o mundo e os distinguidos são normalmente nomes cimeiros da arquitetura mundial.
Desde a década de 1980, quando foi instituído, o prémio tem sido atribuído de três em três anos, por ocasião dos Congressos Mundiais da União Internacional dos Arquitetos, e conta, entre os galardoados neste século, com nomes como o italiano Renzo Piano, em 2002, o japonês Tadao Ando, em 2005, e o mexicano Teodoro González de Leon, em 2008.
Numa nota da organização lê-se que o nome de Siza Vieira foi proposto pelo Royal Institute of British Architects (RIBA). A União fundamentou a escolha com o facto de a obra de Siza Vieira não poder ser classificada, pois cada uma é diferente, mas mesmo assim "reconhecível".
Por outro lado, a União considera que mesmo que a obra de Siza Vieira "não possa ser duplicada, nem tenha sucumbido a modas, constitui um modelo para as novas gerações de arquitetos".
Na Ásia, e com um a viagem de muitas horas de avião, Siza Vieira aproveita a deslocação para inaugurar, dentro de três dias, uma casa em Seul, projeto que desenhou para um cliente para quem fez o desenho de uma fábrica e que gostou da obra do português e lhe 'encomendou' o desenho de uma vivenda".
Lusa



O Eden Hotel Orion está localizado na Praça dos Restauradores, na baixa de Lisboa.
O teatro inaugurado em 1931, foi projectado pelos arquitetos Carlo Florencio Cassiano Dias Branco, e fechou em 1989. Em 2001 foi transformado neste Hotel que manteve muitos dos detalhes arquitectónicos originais. As faixas rosa da fachada, em torno dos grandes vidros, foram restauradas e o interior transformado em um hotel de apartamentos.
Actualmente o prédio e a sua fachada imponente domina a Praça dos Restauradores, uma praça conhecida na cidade pelo seu pavimento em Calçada à Portuguesa.
Fotos: Celso Gonçalves Roc2c